"FRESCOBOL,
UM ESPORTE COMO OUTRO QUALQUER".
Autor:
Fernando Moura Peixoto
Este texto foi finalizado em 1987.
O AUTOR
Fernando (José
de) Moura
Peixoto nasceu em 1946 no Rio de Janeiro e começou a jogar frescobol
aos 16 anos em Ipanema (1962). Divulgador, pesquisador e
arquivista, tem alguns trabalhos (não publicados) de pesquisas, cinema,
humorismo e poesias, além de colagem e coletâneas fotográficas. Vem colaborando
em jornais da pequena imprensa desde 1983. Participou da exposi-ção
"Será que vai dar Praia?" realizada em Janeiro e Fevereiro de 1986 no MIS, Museu da Imagem e do Som.
Com o intuito de transformar o frescobol em um
esporte regulamentado e conseguir, nas praias, áreas especiais para a sua práti-ca, iniciou a pesquisa pioneira em janeiro de 1983,
enviando-a depois às redações dos jornais cariocas e autoridades desportivas.
Foram ouvidas mais de 500 pessoas, em sua maioria, frescobolistas,
entre 1983 e 1987. Em 88, desdobrou-se o trabalho original em um segundo volume
intitulado "FRESCOBOLANDO".
Fontes de Pesquisa:
- Milton Cavalcanti (Surgimento do Frescobol em
Copacabana)
- Nei Ribeiro de Lemos (Surgimento do Frescobol em Copacabana)
- Zênio José Abdon
(Surgimento do Frescobol em Copacabana)
- Otávio do Espirito
Santo (Jogo similar no Leblon, Walther Hartning)
- João Correia Elias (Santa Catarina, frescobol nos
estados)
- Gunther José Ammon Filho
(Santa Catarina)
- Hélio Silva de Benedictis (Praia do Diabo)
- Eurípedes do Amaral Vargas Júnior (Lian Pontes de Carvalho, Frescobol
e Jogos na Inglaterra, Itália e Grécia)
- Aiguacy Saldanha da Gama (Lian
Pontes de Carvalho)
- Carlos Afonso Pimentel ("vôlei-tênis")
- Depoimentos de frescobolistas e turistas, nacionais
e estrangeiros
- Cartas de leitores publicadas nos jornais
1) INTRODUÇÃO
Há grande preconceito por parte de certas
pessoas, no Brasil, em relação ao Frescobol. Muitas
outras, em virtude da ausência de competição e contagem de pontos, tendem a não
considerá-lo um esporte, mas sim, uma recreação, um divertimento. Esquecem
-se no entanto,
de que, ao jogarem frescobol, os seus praticantes
realizam importante e salutar exercício físico. Para dirimir duvi-das a esse respeito recorremos aos léxicos, deles
extraindo as definições de esporte e frescobol.
Esporte: "Do inglês sport,
divertimento, de origem francesa. Exercício físico metodicamente praticado;
entretenimento, distração (...). Dá-se o nome de esporte a toda e qualquer
atividade física destinada ao aperfeiçoamento do homem, seja pela prática de
exercícios, seja por meio de competições"
(Antenor Nascentes, Dicionário Ilustrado da Língua Portuguesa da Academia
Brasileira de Letras).
"Conjunto de exercícios físicos que se apresentam sob a forma
de jogos individuais ou coletivos, cuja prática obedece a certas regras
precisas e sem fim utilitário imediato"
(Antônio Houais, Pequeno Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse).
"Na moderna conceituação, compreende-se por esporte toda a
atividade destinada ao aperfeiçoamento físico e mental do homem, seja pela
prática livre dos exercícios, seja através de competições. A importância do
esporte na sociedade reflete-se na preocupação dos governos em torná-lo
obrigatório onde quer que a sua ação se faça sentir(...).
O conjunto das diferentes modalidades identificadas como esporte varia em
função das regiões da terra, das condições climáticas, dos hábitos e costume de cada povo"
(Achilles Chirol,
Enciclopédia Barsa)
Frescobol:
"Modalidade esportiva praticada na praia: é uma adaptação do
tênis, jogada com raquetes de madeira e bola de borracha; pode ser jogado por
duas pessoas ou por equipes, em área demarcadas de acordo com entendimento
prévio do jogadores"
(Achiles Chirol,
Enciclopédia Barsa)
"Jogo para dois parceiros praticado ao ar
livre, especialmente nas praias, no qual se utilizam raquetes e bolas de
borracha"
(Aurélio Buarque de Holanda, Novo Dicionário da Língua Portuguesa).
"Jogo praticado especialmente na praia por dois parceiros e
munidos de raquete e uma pequena bola de borracha. (Vocábulo surgido no século
XX) de origem desconhecida, mas criado sem dúvida, pelo modelo de futebol,
voleibol, etc..."
(Antônio Geraldo Cunha, Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua
Portuguesa).
2) ORIGEM DO FRESCOBOL NAS PRAIAS DO RIO DE
JANEIRO
O frescobol
surgiu em 1945, em Copacabana, praticamente ao acaso, quando o paraense Lian Pontes de Carvalho se distraía na beira da praia com
um amigo, usando uma tabuinha para bater numa bola de tênis, algum tempo depois
do término da Segunda Guerra. "Uma brincadeira de moleque de praia"
no entender do próprio Lian, que morava no edifício
de nº 1496, na Avenida Atlântica, esquina de Rua Duvivier, já demolido.
O novo esporte teve como berço o trecho da praia compreendido entre
o Copacabana Palace Hotel e
a Rua Duvivier (o chamado posto dois e meio).
Juntamente com Lian, os primeiros jogadores foram:
Milton Cavalcanti, Geraldo Éboli, Bertoldo, Virgílio
Carneiro, Leopoldo, os campeões de tênis Armando Vieira e Júlio de Abreu, Jorge
"Cavuca" Cavalcante (campeão brasileiro e sul-americano
de tiro), Maria Lafond, Nei
Ribeiro Lemos, Zênio José Abdon,
Jeremias de Souza, Carlos Magno, Haroldo Hage Nicolau,
Nilson, "Barão", Lauro Barbosa Ferreira, Américo Castro, Moacyr Moura
Costa, os guarda vidas locais "Jonga", Sebas-tião e Emílson, e muitos
outros. O frescobol nasceu ao lado do famoso Clube
dos Cafajestes e alguns dos seus integrantes eram também pioneiros nesse
esporte: Carlos Peixoto, Newton Barbosa e Jorge "Maresia" Macedo. Outros, como Eduardo Henrique de Oliveira (o saudoso Edu),
Carlinhos Niemeyer, Mariozinho de Oliveira e os irmãos Oldar
e Darcy Fróes da Cruz, embora não sendo grandes
aficionados, eventualmente o praticavam.
Lian Pontes de Carvalho, dono
de uma fábrica de móveis de piscina, pranchas e esquadrias de madeira, na
Rodovia Presidente Dutra, confeccionou as primeiras raquetes vendidas na praia
com o auxilio dos guarda-vidas (sem o intuito de patenteá-las, ele chegou a
comercializar boa quantidade delas para uma loja do centro da cidade). Os que não podiam comprar ou mandar fazer suas
raquetes em serrarias cortavam pedaços de madeiras nas obras dos prédios em
construção na Av. Atlântica e lhes davam forma e acabamento aparando-as árdua e
pacientemente com cacos de vidro, serra tico-tico e lixa. As
raquete eram rústicas e pesadas. Utilizava-se o pinho, e depois o cedro nas sua feitura. Com
o tempo, os cabos foram encurtados e passou-se a pintar ou enverni-zar
as raquetes para melhor protege-las da água. Jogava-se com bolas de tênis
descascadas, hábito que perdurou até 1976, quando começaram a ser adotadas as
bolas americanas (rackquetball).
O esporte estendeu-se ao Leme e ao Posto 06, sempre com o nome de
"jogo de raquetes" ou "tênis de praia". Em 1950, proibido
pela polícia de Copacabana transferiu-se para o Arpoador e logo para a Praia do
Diabo, que se tornaria a grande "academia de frescobol"
durante mais de 30 anos (lá sua prática sempre foi tolerada e liberada). Ainda
na década de 50, propagou-se pelo Castelinho, Ipanema e Leblon, atingindo
também a Ilha do governador, Paquetá e Niterói. Sofreu então campanha contrária
por parte da imprensa e pelos incomodados com o novo esporte, que o apelidaram
pejorativamente, de "coisa de frescos" e "jogo de frescos"
e logo, "frescobol". No entanto os frescobolistas não se importaram e adotaram o nome hoje
reconhecido e até dicionarizado por Mestre Aurélio: "Frescobol,
s.m. (Bras.), jogo para
dois parceiros, praticado ao ar livre, especialmente nas praias no qual se
utilizam raquetes e bola de borracha: "caiu na água, escalou rochedos,
participou de partidas de frescobol" (Malu de Ouro Preto, in Vozes da Cidade, p.79). Pl.: frescobóis). Há entretanto, uma
outra versão para o nome do esporte: seria frescobol
porque é jogado na beira d'água, ou seja, no fresco.
A Enciclopédia BARSA, na sua primeira edição, em 1964, já registrava o frescobol na parte relativa aos jogos de praia: "O
tênis é outro esporte que se transferiu para a praia. Na indispensável
adaptação, as raquetes são de madeira e a bola de borracha (...). A designação do jogo recebeu também uma adaptação regional: frescobol."
Atualmente o frescobol é um dos esportes
mais difundidos nas praias brasileiras. Joga-se praticamente em todas os Estados. E
no exterior há jogos similares. No frescobol não
existem adversários, e sim, parceiros, que preparam as jogadas, alternando-se
no ataque e na defesa. Além da dupla, a longa, média e curta
distância, joga-se o "dois-um"
(trinca) o "três-um (três batendo e um
defendendo) e o "dois-dois" (duas duplas).
É um esporte solidário, sem a preocupação de marcar pontos ou vencer. Fácil de
ser praticado e barato, dispensa campos delimitados e roupas especiais.
Excelente exercício físico e ótimo entretenimento, quem joga frescobol com freqüência e intensidade apura os reflexos e
mantém-se
3)UM ESPORTE PRECURSOR NA PRAIA DO LEBLON
No verão de 1943, na Praia do Leblon, em
frente à Rua Dom Pedrito, atual Almte.
Guilhen, um judeu alemão de nome Walter Haarting, professor de inglês e ginástica,
iniciou a prática de um esperte predecessor do frescobol.
Morador do antigo Edifício Novaes, na Av. Afrânio de Mello Franco, ele recebeu
a alcunha de "Mão de Sebo" por não jogar bem vôlei, pois a bola quase
sempre lhe escapava ao controle, o que acontecia também com a peteca.
Aproveitando o intervalo da turma da peteca, que armava uma rede na
areia fofa, em cima, Walther usava a mão para impelir
uma bola de tênis a um ou dois parceiros . A bolinha
continuava a escorregar na sua mão e ele, fora do campo da peteca, fez tentati-vas com raquetes de tênis na praia. Não satisfeito,
manufaturou raquetes menores em madeira tosca, semelhantes as
atuais do frescobol, e demarcou na areia uma quadra
maior para o novo jogo, adaptada do tênis. Disputavam-se então "melhor de
três" partidas, com placar de 10 pontos, participando uma ou duas pessoas
de cada lado. Nomes conhecidos acompanharam "Mão de Sebo" neste jogo,
tais como: Urbano Magalhães de Almeida, Antônio Novaes, a professora de
educação física Yara Jardim Vaz e sua marido Franklin
(Tarzan), Celeste Silva Jardim (irmã de Yara), Jorge
Nagib, o então Capitão César Montanha de Souza, o ca-sal
Yolanda Nascimento e Dario Sarmento, Arlete, Ney Cardoso e o Prof. Walter Nascimento.
Jogado sempre em área delimitada na areia quente, com rede e
marcando-se pontos, o esporte criado por Walter Hartning
não recebeu nenhum nome em especial e perdurou de
4) JOGOS APARENTADOS NA PRAIA
Antes do advento do frescobol,
havia em nossas praias alguma recreações congêneres.
Impulsionava-se para o alto, sem muita técnica, uma bolinha, que podia ser
ornada com penas (uma petequinha), utilizando-se
tamborins de pergaminho esticado ou pequenas raquetes encordoadas, de cabo leve
e comprido, como no jogo da volante. Batia-se em uma bola presa por um fio a um
peso depositado no chão, que ia de um lado para o outro sem se perder. Ou
tentava-se mesmo praticar o tênis na areia.
Nos anos 70, em Copacabana, próximo a Rua Xavier da Silveiras, veteranos tenistas jogavam o "volêi-tênis" em uma quadra comprida, demarcada por
fitas e bandeirolas na areia fofa, sendo a rede fixada um pouco mais alta que
no tênis. As raquetes possuíam o cabo longo, tendo a cabeça constituída de
espuma de borracha prensada por duas madeiras compensadas, ovaladas e
grossas. As bolas, regras e marcação de pontos eram as mesmas do tênis, mas
jogava-se de voleio, como no frescobol,
já que a bola de tênis não quica na areia. As duplas posicionava-se no campo da seguinte maneira: um
jogador ficava mais à frente, perto da rede, e o outro guarnecia a retaguarda.
O "volêi-tênis" surgiu na década de 50 no
Leme, introduzido por "seu Mário", um italiano (ex-goleiro reserva da
seleção de seu país) que se radicou no Rio.
Em meados da década de 60, em Ipanema, à direita da Rua Joana
Angélica, acontecia um jogo muito semelhante ao volêi-tênis,
mas com a rede alta, de peteca. As raquetes eram de madeira escura, pequenas,
redondas e grossas, e as bolas felpudas. Jogavam três de cada lado (geralmente
senhores): dois próximos da rede e o terceiro cobrindo a parte traseira da
quadra, armada em cima, logo depois da calçada e nas antigas dunas. Contava-se pontos iguais ao do vôlei.
Em 1980, o professor de Educação Física Sérgio Zaccaro,
frescobolista e adepto do "squash",
patenteou dois interessantes jogos baseados no frescobol: o "zaccaro-game"
e o "zaccaro-ball", que podem se realizar
na praia ou fora dela. O "zaccaro-game" é
praticado por duas ou mais pessoas quem empunham um pequeno cabo com um copo de
plástico acoplado na ponta. A bola deve ser lançada por uma e recebida no copo
pela outra, que a devolve em seguida, e assim sucessivamente. No "zaccaro-ball" os participantes encaixam pás de
madeira, em forma oval, na palma das mãos. A partida transcorre como no frescobol, mas se impulsiona a bolinha com as duas mãos.
Nas praias de Guarujá, de areia dura e bem batida, os paulistas
praticam o frescobol em campo demarcado por fitas,
reduzido e adaptado do tênis, com rede baixa (alguns jogadores dão-se ao luxo
de contratar garotos do local só para apanhar as bolas). Na praia da Enseada,
na Av. Santa Maria, defronte ao Hotel Casagrande, acontecem até competições de frescobol (lá chamado de "raquetinha") que
precedem os famosos torneios de tênis ali efetuados em piso sintético no início
de cada ano.
5) FRESCOBOL: HISTÓRIA E ARTE
É interessante assinalar a existência de
divertimentos e jogos de raquete muito anteriormente na França: o "jeu de paume", desde o
século XIII, a "court paume"
e a "longue paume",
nos séculos XIV, XV e XVI, que consistiam em se impelir uma
pequena bola feita de material leve contra uma parede, ou passá-la sobre uma
rede em um campo, de um lado para o outro, com as mãos revestidas por uma luva
ou correia de couro, utilizando-se mais tarde uma pá e madeira, o "battoir". Em
fins do século XVI adotou-se a raquete acordoada. A
palavra "raquete" vem do árabe vulgar "rahat",
que quer dizer "palma da mão".
Em 1873, na Índia, o major inglês Walter Clopton
Wingfiel desenvolveu um jogo baseado e adaptado da
"longue paume"
com o nome grego de "sphairistike" (esferística, "arte de jogar a péla, pequena bola de
borracha). Patenteado em 1874 e levado para a Inglaterra, o "sphairistike" sofreria modificações em 1875, à revelia
do seu criador, transformando-se no "lawn tennis" (tênis de grama) e originando o tênis moderno.
O termo "tênis" deriva do francês "tenir"
(pegar, segurar): no século XIV, na França, ao lançarem a bola, os praticantes
da "paume" (péla) gritavam "tenez" (segura). Contudo há registros indicando que
jogos semelhantes já eram conhecidos no Egito, Pérsia, Grécia e Roma, séculos
antes da era cristã.
Conta-se que o Rei Henry VIII da Inglaterrra,
em 1534, quando rompeu com a Igreja de Roma (que não lhe permitiu o matrimônio
religioso com Ann Boleyn),
teria mandado converter várias catedrais locais para jogos de péla, disputados com as
mãos ou raquete e pequenas bolas, em quadras fechadas ("courte paume").
Recentemente, ao se restaurar uma dessas catedrais, encontrou-se, escondida no
teto uma péla perdida.
No Museu do Prado, em Madri, na Espanha, existe um famoso quadro de
Goya, datado de 1776 e intitulado "El Juego de Pelota", que mostra dois trios de jogadores,
em postura similar à do frescobol, defrontando-se em
um terreno baldio, sem rede ou campo delimitado, portando longas e estreitas
raquetes de madeira com pequenas cestas nas pontas. Parece tratar-se de uma variante da
"pelota basca", em que uma cesta comprida e côncava de vime trançado,
introduzida no braço, acolhe a bola, que deve ser atirada com violência a uma
parede e, na volta, recebida pelo adversário, e assim por diante.
Em, diversos filmes estrangeiros, passados em
épocas diferentes, podem ver-se jogos muito assemelhados ao frescobol.
Em "Robin e Marian",
com Sean Connery e Audrey Hepburn, cuja ação
transcorre no final do século XII, na Inglaterra, duas moças empunham rústicas
raquetes triangulares, divertindo-se num autêntico frescobol
numa sala de um castelo, enquanto dialogam o heroí e
o Rei Ricardo "Coração de Leão". Em "Gavião no Mar", com Errol Flynn e Brenda
Marshall, ambientado em 1585, uma nobre jovem
espanhola e sua dama de companhia dão raquetadas em
uma bola, no convés do galeão espanhol, que as está conduzindo da Espanha para
a Inglaterra. Já em "A fúria", com Kirk
Douglas e Amy Irving, onde a trama se desenrola em
1977, é frescobol mesmo que as duas duplas jogam em
uma praia do Oriente Médio, ao fundo, enquanto Douglas e o filho paranormal conversam em primeiro plano, antes de um ataque
terrorista local, logo no início do filme. Em "A Mulher do Tenente
Francês", "Visões de Sherlock Holmes" e "Os Três
Mosqueteiros" (versão de Richard Lester) há o
"real tennis", um esporte de raquetes
antecessor do tênis, praticado em quadras fechadas ou abertas, e até hoje é
apreciado na Inglaterra e França.
Nos Estados Unidos, na década de 20, James Cogswell
e Fessenden Blanchar criaram o
"platform tennis"
como uma alternativa ao tênis, reduzindo o tamanho da quadra (um estrado de
madeira ripada)
Também nos Estado Unidos, durante os anos 30, Earl
Riskey, na Universidade de Michigan, estabeleceu os
princípios do "paddleball", que mescla
elementos do frontão manual (hardball), tênis e squash, sendo praticado numa quadra retangular
inter-na com uma, três ou quatro paredes, na metragem
12,10(comp.) x 6,00 (larg.)
x 6,00 (alt.). Participam dois (individuais), três
(trinca, onde um servidor atua contra dois rebatedores) ou quatro(duplas)
jogadores. Inicialmente utilizavam-se bolas de tênis e raquetes de cabo curto
("paddles" ou pás), em madeira, nas
dimensões
6) RAQUETES E BOLAS DE FRESCOBOL
As raquetes de frescobol
medem aproximadamente
Joga-se com bolas de "racquetball",
americanas e importadas, trazidas inicialmente em 1976, na cor preta, pelo piloto de
helicóptero Sebastião Sarago. Essas bolas, em
borracha pressurizada, revolucionaram o frescobol,
tornando-o mais ágil e dinâmico. A preferência recai nas marcas: Penn, AMF-voit e Wilson. Usam-se
várias outras marcas estrangeiras (Ram, Nassau, Canon, Pinch-Shot, Nice, Vittert, Seamco, Tenex, Boomerang, Ektelon e Spalding) cujo preço
varia de acordo com a cotação do dólar. As similares nacionais, embora muito
baratas, são duras e pesadas, não tem elasticidade e somente principiantes as
utilizam. Entre alguns jogadores do Norte-Nordeste a predileção ainda é pelas
bolas de tênis descascadas.
7) MODALIDADES E ESTILOS DIFERENTES
A modalidade de frescobol mais comum são
os jogos entre dois parceiros, aqui denominados "duplas", mas que
correspondem, na realidade, às partidas "simples" ou
"individuais" ("singles") do
tênis. Existem uma grande diferença de estilos e
padrão de jogo, que variam de jogador para jogador e de um local para outro.
Assim, por exemplo, na Praia do Diabo, pratica-se um frescobol
a longa distância, cadenciado, com muita força, bolas pelo alto e a meia
altura. Joga-se bastante o "dois-um"
(trinca), o "três-um" (três cortando e um
devolvendo) e o "dois-dois" (duas duplas,
os "doubles" no tênis). Em Ipanema, o frescobol é jogado de perto, curto e rápido, com menos
força e bolas mais baixas. Pouco se joga a "trinca" e raramente o
"dois-dois" e o "três-um".
Pode-se tentar definir melhor dizendo que o frescobol
da Praia do Diabo seria "pauleira" ("heavy" ou "hard")
e o de Ipanema, "ligeiro" ou "leve" ("light"). As duas tendências coexistem e se misturam na
Barra da Tijuca, Praia do Pepino e Posto Seis. No resto da Praia de Copacabana predomina o
jogo longo e forte. Há certas
divergências entre os adeptos das várias escolas, cada um considerando o seu
estilo o mais correto
8) JOGA-SE
Praticado na totalidade das praias do Rio de Janeiro, encontra-se frescobol pelo Brasil afora. Eis alguns desses lugares,
entre praias (marítimas, lacustres ou fluviais) e clubes: No Rio Grande do Sul,
Em Torres e Tramandaí;
9) JOGOS SIMILARES NO EXTERIOR
Em outros países existem jogos de praia bastante semelhantes ao frescobol, praticados com raquetes, bolas, nomes e técnicas
diferentes, e menor freqüência, dentre eles: Uruguai (em Punta
del Leste), Argentina
("juego de paletas"; jogado
10) REPRESSÃO POLICIAL NAS PRAIAS DO RIO DE
JANEIRO
A intensa repressão policial e as campanhas negativas de parte da
imprensa só fizeram contribuir para a propagação cada vez maior do frescobol. Todos sabemos que a
melhor forma de se incentivar um hábito e transforma-lo em paixão ou vício, é proibindo . O que não é considerado lícito
sempre despertou a paixão humana.
No inicio da década de 60, no Castelinho, então o lugar da moda,
solicitados pelos guarda-vidas a coibirem o frescobol,
policiais uniformizados, usando pesadas botas, adentraram a praia e foram
recepcionados pelos banhistas com estrepitosas vaias e copinhos de refresco
recheados de areia. Ante a inesperada oposição, os guardas tiveram que se
retirar. Mas o tumulto gerado deixou ferida uma moça filha de
militar, e o caso rendeu ainda por algum tempo.
Comumente, pressentindo a aproximação da polícia, os frescobolistas corriam a enterrar suas raquetes na areia ou
escondê-las sob as toalhas das garotas. Muitos mergulhavam no mar, prendendo a
raquete entre as pernas ou enfiando-a no calção, nadando para bem longe. E,
invariavelmente, lá encontravam seus colegas surfistas (reprimidos também na
época) com grandes e pesadas pranchas de madeira, que lhes faziam companhia,
esperando a desistência e a saída dos guardas.
Nos anos 70 o combate ao frescobol
prosseguia duro. Em meados da década em Ipanema, um dupla de jovens frescobolistas fugiu para a calçada ao perceber a
chegada de dois policiais (já em trajes praianos: bermuda, camiseta, boné,
revólver e um longo bastão) que os perseguiram como a bandidos comuns pela Av.
Viera Souto. Finalmente, os rapazes refugiaram-se em um edifício onde morava um
amigo, na Rua Joana Angélica, e escaparam ilesos. Ao final da década só se
conseguia jogar depois das cinco horas da tarde, quando os guardas iam embora.
Mas, ás vezes, eles retornavam de surpresa, efetuando "blitzen" pela beira d'agua.
Através dos tempos os frescobolistas
aprenderam a conviver com o policiamento nas praias, montando um verdadeiro
esquema de segurança que envolvem avisos, mensagens e
até alarme. Colaboram desportistas, vendedores ambulantes e os próprios
banhistas, que anunciam a presença dos "homens". Na rua Vinícius de Moraes chegou-se a plantar uma sentinela
avançada que trilava um apito toda vez que a situação ameaçava complicar-se.
Mas o melhor mesmo sempre foi tentar o diálogo com o policial, argumentado que
se está praticando um esporte e não uma contravenção. Se a conversa não der
resultado, perde-se a raquete (que jeito) e logo se compra outra. Ou pega-se a de reserva, que fica no carro ou
No verão de
Os policiais perceberam então ser impossível acabar com o frescobol, um esporte como outro qualquer, e começaram a
orientar seus adeptos a só joga-lo em cima na areia fofa, ao lado das redes de
vôlei. Em 16 de dezembro entrava em vigor a Resolução da Secretaria de
Segurança Publica de nº 0451 (que prevalece até
hoje), regulamentando todas as atividades desportivas (além de outras) nas
praias do Rio e delimitando áreas para o frescobol,
liberado agora em qualquer horário, mas somente em determinados módulos, sempre entre as
redes de vôlei ou campos de futebol existentes e o calçadão, na areia quente, o que muito dificulta a sua prática com o sol
abrasador e o intenso calor do verão.
11) CAMPANHAS NEGATIVAS E CENSURA DA IMPRENSA
Em certos jornais valem-se de tudo para denegrir o frescobol, até mesmo inventar histórias. Em 21/10/80,
publicou-se no "Informe JB", sob o título
"Violência", que o ex-jogador de futebol Dida
teve que ser socorrido as pressas em um hospital, vítima de uma bolada de frescobol
na cabeça. Na verdade, o ex-craque do Flamengo e da Seleção
caíra e batera a cabeça no chão quando jogava futevôlei na praia. Em 5/2/81,
numa reportagem contra o frescobol no "Caderno
B" do Jornal do Brasil, Susana Schild criou uma
"tradição frescobolística responsável por cegar
menino ou acertar barriga de grávida". Em dezembro de 1983, na sua coluna
de O Globo, Ibrahim Sued afirmou que "o frescobol já havia feito, nos últimos seis meses, mas de
cem vítimas infantis aqui no Rio". Em janeiro de 1984, o
Globo-Ipanema descreveu o "golpe do
desportista", que estaria sendo aplicado nas praias: " O
ladrão chega com duas raquetes de frescobol e convida
algum adepto do esporte para jogar. Quando
este se aproxima para pegar a raquete, o assaltante mostra o revólver e exige
todos os pertences da vítima". Ao final do verão de
1985, lia-se
Tudo faz crer na existência de ordens internas em muitos jornais do
Rio proibindo reportagens e notícias favoráveis ao frescobol,
assim como divulgação de cartas de leitores defendendo este esporte. Quando
publicadas, elas perdem sempre o sentido original, pois saem resumidas,
truncadas ou com erros de impressão. Em
julho de 84, o encarregado da seção de cartas do Jornal do Brasil, Carlos
Alberto Teixeira, respondendo pelo telefone a um frescobolista
que reclamava de cortes efetuados em sua missiva,
disse ironicamente: "O frescobol é um assunto
que não resisti a mais de dez linhas".
Mas como faturar é preciso, os mesmos jornais que criticam o frescobol cedem espaço aos patrocinadores esportivos e
publicam freqüentemente anúncios de raquetes e bolas de frescobol.
E estampa ainda na primeira página, geralmente aos Domingos ou Segundas-feiras,
fotos de apetitosas "gatinhas" em diminutos biquínis, jogando frescobol, para atrair a atenção de mais leitores nas
bancas e aumentar a vendagem.
12) FRESCOBOLISTAS BRASILEIROS NO EXTERIOR
Inúmeros brasileiros jogaram frescobol em
viagens ao exterior e despertaram a curiosidade das
pessoas, que ficaram impressionadas com a velocidade do jogo, a destreza dos
praticantes e por ser um esporte de parceria, não competitivo.
Em 1952, Newton Barbosa, do Club do Cafajestes e ex-goleiro do Bangu, jogava em Cannes com a
sua namorada francesa.
Em 1976, o arquiteto Antonino Cuis Winter e o empresário Chico Mascarenhas "bateram frescobol"
durante três meses nas praias de Lagoa, capital da Nigéria, quando da montagem
do Pavilhão Brasileiro do Festival de Arte e Cultura Negra, ali realizado no
início de 1977. Mandaram um carpinteiro nigeriano fazer as raquetes e
utilizaram bolas de tênis descascadas.
Em 1977, o gaúcho Luiz Homero Pereira, desenhista, e o
brasileiro-americano Bob Sushereba, surfista,
radicaram-se na Califórnia,
De
Em 1979, o cinegrafista Flávio Alexim
jogou frescobol
Em 1981, o matemático Roberto Labarthe, o
analista de sistema sistemas Paulinho Gomes e o baterista Eduardo "Duduca" jogaram frescobol na
Washington Square,
Em 1982, o catarinense João Correia Elias, mestre da Petrobrás
"bateu frescobol" na Praia de Tamano, ao sul do Japão. Embarcadiço, Elias viaja muito e
carrega sempre raquetes. Já jogou na Argentina, Uruguai e noutros países e em
quase todos os estados praianos do Brasil.
Em 1982, o ritmista e percurssionista
Alfredo Bessa "frescobolou"
defronte ao Hotel Varadero, na
Praias de Varadero, em Cuba, por ocasião de um
grande festival de música que contou com a presença de renomados artistas
brasileiros. Varadero,
considerada "a Guarujá cubana", dista 130 kms de Havana.
Em 1983, o músico Eduardo Jones jogou frescobol
em Ibiza, na Espanha. Em 1984, Edu retornou a Ibiza e durante quatro meses obteve muito sucesso tocando
em um conjunto e "batendo frescobol" com
sua mulher Joana, nas Praia de Las
Salinas. O jogo rápido e curto do casal contrastou com o lá existente, lento e
a longa distância (praticado com grandes raquetes de madeira compensada,
redondas e grossas, e chamado "palas" (raquetes) ou mesmo "frescoball", pois Ibiza, uma
atração internacional, já importou o nome). Joga-se bastante em frente ao Bar Waikiki: nativos e turistas.
Em 1984, Luís Antonio Pinto, funcionário público, "frescobolou" em Portugal, na Costa de Caparica, em Lisboa, ensinado o esporte a moças portuguesas
que, entusiasmadas, chegaram a lhe pedir o envio de raquetes do Brasil
Em 1985, Guilherme Bungner, estudante de
Engenharia, jogou frescobol na Grécia, em Atenas,
numa praia a caminho de Cape Sunion, onde se localiza
o Templo de Poseidon.
Em meados de 1985, Alcindo Pereira Silva Filho, o
"Cidinho", dono da butique Bum-Bum, e o
brasileiro suíço Eugen Bachmann,
"bateram frescobol" em Ibiza,
Espanha. Torneios de "Frescoball" estavam
acontecendo por lá, sendo a escolha dos integrantes das duplas feita na hora,
através de sorteio. Mas, pelo fato de nossas raquetes, menores e compactas, oferecerem um rendimento superior ao das
espanholas, em decorrência da fama de peritos neste esporte, dificultavam-se
a entrada de participantes brasileiros.
Em 1986, Eugen Bachmann,
bancário, e o peruano Miguel Steinmann, economista,
residindo então na Suíça, começaram a "frescobolar"
nas margens do Lago Zurique (Zurichsea). Usaram
raquetes brasileiras, da marca Sulina, que serviram de modelo para alguns
iniciantes suíços confeccionarem as deles. O duo "deu batidas" ainda na Cote D'Azul, em Ibiza e no Hyde Park.
13) REINVIDICAÇÕES DOS ADEPTOS DO ESPORTE
O maior anseio dos frescobolistas é o
reconhecimento do frescobol como um esporte e a
demarcação de áreas especificas e compatíveis para a sua prática, diferentes
das atuais, situadas próximas aos calçadões, na areia
quente, o que inviabiliza o jogo no calor forte de verão.
Muitos acham que se poderia liberar o frescobol
na beira d'água, a partir de um determinado horário,
em dias de semana e quanto houvesse menor afluxo de banhistas, ficando tal
medida a critério dos policiais ou responsáveis pela fiscalização das praias.
Não se justifica o rigor da proibição ao jogo estando a
praia vazia ou com pouco movimento. A criação de "quarteirões de
esportes", alternando-se com "quarteirões de lazer", solucionaria de vez o problema.
Outras importantes aspirações frescobolísticas
são conseguir o apoio das autoridades para a realização de torneios, o
patrocínio de empresas e a formação de entidades (legitimadas) e uma federação
congregando os frescobolistas, a exemplo do que já ocorreu com os
praticantes de esportes praianos mais recentes.
Quantos aos campeonatos, a opinião dos frescobolistas
se divide. Uns pensam que o esporte vai perder a graça e o caráter amador, não
competitivo e de parceria, se tiverem que ser contados pontos em uma disputa.
Tarefa difícil resolver como se marcarão esses pontos. Várias sugestões,
algumas até mirabolantes, já foram registradas. A mais
viável, no entender da mai-oria, é a avaliação do
desempenho dos jogadores em duplas, masculinas, femininas ou mistas, sem limite
de idade, que não concorreriam entre si, mas inter-si.
Cada dupla atuaria um tempo
determinado em uma quadra com
Torna-se essencial aqui ouvir o parecer de veteranos e
profissionais do frescobol. Carlinhos Magno, agrônomo e
administrador de empresas, sugere a instalação de um pequeno gol, com uma rede
filó, por trás de cada jogador. A dupla jogaria normalmente, vencendo aquele
que, ao final da partida, tivesse permitido por menos vezes a passagem e a
penetração da bola em sua meta. Zênio José Abdon, engenheiro, imaginou a colocação de um arco de porte
médio, a meia altura, entre os participantes, que teriam que efetuar as jogadas
com a bola atravessando-o . Nei
Ribeiro de Lemos, oficial de Marinha, acha que o frescobol
deve ser vigorosamente disputado, com ambos os contendores atacando e
defendendo, assinalando-se pontos como no tênis; e propõe que se transplantem
para o frescobol a quadra, a rede e as regras do " platform tennis", praticado nos EUA desde a década de 20 com raquetes
semelhantes às do frescobol. Jorge Brisson, comerciante, concorda com Nei,
principalmente pelo fato da quadra de "platform tennis" possuir uma tela circundando-a, o que
possibilita o ricochete da bola e seu retorno imediato ao jogo, acrescentando-lhe
mais emoção. Já Marcos "Índio" Serva, "free-lancer",
opta pela avaliação de dupla por um júri, afirmando que "no frescobol o objetivo não é levar o parceiro ao erro, mas
sim, ter a capacidade de acertar a bola com força e precisão na raque-te do outro jogador". E prossegue: "Há uma
nítida diferença de estilos entre um atacante e um defensor. O atacante dá força à bola e o defensor
amortece, devolvendo-a, de preferência, a uma altura um pouco abaixo do peito
do parceiro. O atacante tem que estar preparado para bater em qualquer área da
circunferência que o braço traça em volta do corpo. A batida, por sua vez, deve ser de forma que
possibilite a defesa por parte do companheiro". Marcos finaliza: "Toda essa
seqüência de jogo tem que ter um ritmo, que é importantíssimo. Não se pode
jogar uma bola lá no alto, outra cá em baixo, depois de uma do lado direito e
outra no lado esquerdo".
Muitos frescobolistas sonham também com a
utilização publicitária dos espaços nas raquetes, bonés, viseiras e camisetas. Várias empresas
e lojas fazem a propaganda gratuita nas raquetes que vendem ou presenteiam seus
clientes. Mas quando procurados por profissionais do frescobol
para patrocinarem os torneios, esquivam-se alegando não ser um esporte
bem aceito e que a imagem do frescobolista ainda é
negativa em virtude das campanhas adversas nos jornais.
Apesar dos novos tempos, existe muita discriminação e preconceito
ao frescobol e seu partidários.
Pela legislação praiana em vigor, merecerão primeiramente um
advertência os frescobolistas (ou outros
desportistas) flagrados fora das áreas estabelecidas em
determinados módulos. Em caso de reincidência, os jogadores terão o material
utilizado apreendido, e serão detidos e apresentados, "incontinente, à
Delegacia Policial correspondente ao local da infração para o procedimento
cabível."
Enquanto isso no Rio de Janeiro uma pessoa está sujeita à prisão ao
praticar um esporte na praia, em Brasília, no alvorecer da Nova República, o
Deputado Márcio Braga, criador da Comissão de Esporte e Turismo, declarava que
para começar a reforma no esporte basta uma lei com dois artigos:
1) É livre a prática esportiva em todo os País
2) Revogam-se as disposições ao contrário
Até que se ordenem apropriadamente as práticas desportivas nas praias cariocas de maneira a permitir sua perfeita convivência com quem deseja aproveita-las descansando ou passeando, persistirão as discussões e as infindáveis campanhas contrárias ao frescobol (e outros esportes) em boa parte da imprensa.